Um Grande Veleiro

​​​​​Desde o fim da utilização comercial e militar dos veleiros que Portugal tem mantido a utilização de grandes veleiros como navio-escola para complemento da formação teórica ministrada pela Escola Naval aos futuros oficiais da Marinha.
 
Se até há alguns anos a utilização deste tipo de navio-escola era encarada como uma forma económica de dar treino de mar, com as lacunas de não permitirem o contacto com tecnologias de ponta ou operações navais modernas, o facto é que actualmente este tipo de navios está a ser cada vez mais utilizado.

Ao longo dos anos que passei na “Sagres” e dos contactos que ao longo da minha carreira fui tendo com outras Marinhas que não utilizam este tipo de navio, fui várias vezes informado da vontade e necessidade que sentiam, e das vantagens em ter uma “Sagres”. Algumas Marinhas adquiriram esta capacidade recentemente e outras fizeram avultados investimentos para a prolongar. Estou em crer que este é actualmente um dos muitos factores diferenciadores de Marinhas, no sentido positivo.

Quais as vantagens de um grande veleiro face a outro tipo de navio?

Conhecer o mar

O mar é um elemento injusto, tão capaz de destruir actualmente uma fragata como o foi de destruir uma frágil caravela dos Descobrimentos. Um aspirante a marinheiro tem que começar por conhecer e saber lidar com as forças do vento e do mar, e nada como um navio que as utiliza para se mover em grandes travessias. Só este conhecimento permite ao marinheiro conhecer os seus limites e os do navio de que depende para sobreviver e para cumprir as missões que lhe forem atribuídas. Antes da Primeira Guerra Mundial era condição para ser oficial nos vapores transatlânticos ter sido aprendiz num dos grandes veleiros de comércio, pois era sabido que aqueles oficiais mantinham a calma e trabalhavam melhor perante situações adversas.

Marinharia e manobra 

Apesar da era de complexidade tecnológica em que vivemos, os navios de treino de vela continuam a permitir o melhor e mais completo treino e prática de manobra e marinharia, não só pela dificuldade inerente como pelo resultado do trabalho na propulsão e manobra.

Gosto pelo nosso navio

Um dos objectivos de cada comandante é que a sua guarnição sinta o navio como seu, como algo muito especial e que tenha orgulho nele. Um Grande Veleiro é um navio que facilita esta aquisição, que depois será transposta para cada nova unidade em que se venha a prestar serviço.

Escola de vida

Mais do que ser uma escola de marinheiros, a “Sagres” proporciona uma oportunidade única de desenvolvimento da autoconfiança, coragem, firmeza e capacidade de julgamento, precisamente algumas das qualidades que uma Marinha precisa nos seus líderes. Para utilizar o vento em seu favor, a “Sagres” depende do saber e do trabalho da sua guarnição, da qual os cadetes, quando embarcados, fazem parte, e que tem de trabalhar como uma equipa que é decisiva em circunstâncias de mau tempo, em que o medo e a exigência física são levados ao extremo, para dar resposta rápida e eficiente às ordens do comando. A sociedade civil também já está a utilizar os grandes veleiros para a formação de jovens, como se pode verificar através dos vários navios civis normalmente presentes nos encontros deste tipo de navios, havendo mesmo aqueles que embarcam pessoas com deficiências, e outros com projectos de recuperação de jovens marginalizados e indivíduos problemáticos.

Representação

Que melhor meio poderá ser utilizado para representar uma Marinha e um país que se deu a conhecer ao mundo pelos seus feitos marinheiros? O militar da “Sagres” é visto, onde que que vá, como um herdeiro dos feitos de Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Álvares Cabral, e tantos outros. O navio permite uma representação culta, cheia de significado histórico e simultaneamente muito moderna, pelo facto de ser amigo do ambiente, representar um desporto de elite e levar uma mensagem de amizade aos milhares que nos visitam e provam o carinho e boa disposição dos portugueses cá embarcados.

Apoio à Política Externa do Estado

A possibilidade que o navio dá, em cada porto, aos nossos representantes diplomáticos de aqui trazerem as mais altas autoridades e individualidades locais é altamente facilitadora do seu trabalho diário de estreitar relações. Para além disso, o próprio Governo português tem utilizado o potencial do navio, destacando-se o encontro entre o nosso Primeiro-ministro e o Presidente do Brasil, a bordo, durante a Cimeira Luso-Brasileira de Outubro de 2008, e a comemoração do Portuguese National Day nas Nações Unidas, em que a representação nacional convidou as suas congéneres para uma recepção a bordo, em Nova Iorque (Julho de 2009).

Visita à Diáspora

Nas comunidades portuguesas encontram-se provavelmente os maiores apreciadores deste navio. Assiste-se invariavelmente à dose de orgulho em ser português que este belo e bem cuidado navio lhes proporciona. Este facto reflecte-se na forma como nos recebem, proporcionando-nos em cada porto recepções inesquecíveis.

Custos

A operação de um grande veleiro tem menores custos por aluno, pois estes têm uma maior capacidade de alojamento para pessoal extra-guarnição, consomem cerca de 10% do combustível de um navio de linha e podem operar isoladamente, dispensando reabastecedores. Por outro lado, manter pessoal capaz de o operar, e a necessária corrente logística e de manutenção para um só navio tem custos organizacionais, de pessoal e finan​ceiros. 
 

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