Símbolos

​​​O Infante D. Henrique 

Figura de proa do NRP “Sagres”, foi o terceiro filho do rei D. João I e nasceu no Porto a 4 de Março de 1394, tendo-se constituído, ao longo da sua vida, como o grande impulsionador da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses. Participou na conquista de Ceuta ao lado do seu pai e irmãos em 1415, tendo sido igualmente durante a sua existência que Portugal consolidou a sua opção atlântica, de resto já patente aquando da aliança estabelecida com Inglaterra, em 1373. É hoje unanimemente reconhecida a sua acção no apoio que proporcionou, a diferentes níveis, incentivando e promovendo viagens de exploração da costa ocidental africana e dos arquipélagos atlânticos. A sua atitude e perseverança reflectiram-se na descoberta (1419) e colonização (1425) da Madeira, dobrar do cabo Bojador (1434), descoberta (1427) e colonização (1439) dos Açores, e chegada ao cabo Branco (1441), ilha de Arguim (1443), rio Senegal (1444), ilhas de Cabo Verde (1456) e Serra Leoa (1460).
Com os seus navios às portas do golfo da Guiné, o infante D. Henrique faleceu em Sagres aos sessenta e seis anos, no dia 13 de Novembro de 1460. Fruto de uma atitude tão pragmática quanto avisada, criou as bases com vista a dar continuidade à expansão marítima por si iniciada, permitindo que esta, após a sua morte, dispusesse de condições para ser prosseguida. Se bem que os objectivos associados às primeiras viagens para sul possam não ter sido muito inovadores, a prazo, os resultados das navegações prosseguidas metodicamente, ao longo de décadas, acabaram por se tornar num dos feitos de maior relevância da História da Humanidade. Considera-se, por isso, do mais elementar e estrito reconhecimento, que a sua divisa, talant de bien faire – vontade de bem fazer – seja, nos nossos dias, o lema que sublinha o brasão de armas da Escola Naval, instituição centenária, onde ainda hoje o espírito e os princípios do infante se mantêm como referência na formação técnica e humana dos futuros oficiais da Marinha Portuguesa. Igualmente homenageando o seu legado, o navio-escola Sagres ostenta, como figura de proa, a efígie do infante D. Henrique.

​O Cabo de Sagres

Situado na extremidade sudoeste de Portugal, havia muitos séculos que, além de proeminência geográfica, tinha também a ele associada uma enorme carga mítica, sendo mesmo conhecido entre os Romanos como Promontorium Sacrum. De resto, a raiz etimológica do próprio nome encerra ligação íntima com o carácter eminentemente sagrado do local, em grande medida dilatado pelo facto dos restos mortais de S. Vicente nele terem repousado, antes de D. Afonso Henriques (1111-1185) os ter mandado trasladar para Lisboa.
Ao que se sabe, o interesse do infante D. Henrique por Sagres só se encontra documentado a partir de 1443, solicitando autorização para aí mandar construir uma vila, o que parece encontrar explicação no grande incremen¬to que as viagens de exploração conheceram a partir de 1441. Neste contexto, seguramen¬te que ao infante D. Henrique não passariam despercebidas as condicionantes com que se via confrontada toda a navega¬ção, que, correndo ao largo da costa do Algarve, estabelecia a ligação entre o Mediterrâneo e o Norte da Europa. Por um lado, os navios que navegavam para norte viam-se frequentemen¬te impedidos de passar à costa ocidental, devido ao vento e aos seus efeitos no mar, causados pela forte nortada de Verão. Pelo que, mais não lhes restava do que procurar o abrigo natural da enseada de Sagres, aguardando pelas condições que lhes per¬mitissem prosseguir a navegação. Por outro lado, os que viajavam em sentido contrário, muitas vezes fundeavam na baía de Lagos onde reabasteciam e davam descanso às respectivas tripu¬lações. No entanto, sempre que soprava vento levante (de leste), também comum nesta região, a baía de Lagos, porque aberta àquele quadrante, não oferecia aos navios a protecção desejada, forçando-os a procurar abrigo na enseada de Belixe, situada entre os cabos de Sagres e São Vi-cente, até verem reunidas as condições que lhes permitissem demandar, em segurança, o estreito de Gibraltar. Pelo que antecede, facilmente se compreende que o cabo de Sagres, limite natural das enseadas que conferem protecção aos ventos mais comuns da região, seria obrigatoriamente ponto de encontro entre marinheiros, tendo-se revelado fundamental na troca de conhecimentos e experiências, beneficiando os propósitos do infante D. Henrique. Ao que acresce, relativamente a Lisboa, a sua menor distância à costa africana e aos arquipélagos atlânticos, cujo «descobri¬mento» constituiria o cerne dos planos do infante D. Henrique.

Não obstante as evidentes vantagens, Sagres nunca se conseguiu impor a Lagos e a Cádiz, como ponto obrigatório de paragem dos navios na costa sul, excepto nas condições referidas. Prova disso é atestada pelo facto de grande parte das expedições promovidas pelo infante D. Henrique ter partido de Lagos. Esta situação, aparentemente contraditória, encontra razões que a justificam, na medida em que a zona de Sagres, além de não contar com terrenos férteis que permitissem sustentar uma população numerosa, sofre ainda de uma crónica falta de água potável. Terão sido pois estes os factores que impediram que este local reunisse condições para satisfazer as vulgares necessidades de reabastecimento dos navios que aí fundeavam.
Em qualquer dos casos, foi no decurso das viagens patrocinadas pelo infante D. Henrique, que os seus navegadores reconheceram regimes de ventos e correntes; aperfeiçoaram méto¬dos de navegação – estimada e astronómica – para com maior rigor determinar a posição do navio no mar; identificaram quais as características dos navios a melhorar com vista a vencer as dificuldades da recente navegação no Atlântico, tanto no que respeita a um maior conforto da vida a bordo, como na estiva e transporte da respectiva carga. Em suma, foi toda esta ac¬tividade, levada a cabo com enorme perseverança e determinação, que redundou no mito da famosa Escola de Sagres. Não tendo chegado até nós qualquer prova real da sua existência, pelo menos nos moldes que hoje associamos a um local com essas características, dado o tra¬balho paulatinamente desenvolvido, conclui-se, no entanto, que a Escola de Sagres, constitui um facto incontornável, simbolizada pela forma consistente e tenaz como os seus Marinheiros, simultaneamente mestres e alunos, buscaram dilatar os conhecimentos náuticos e geográficos de então e alcançar os objectivos estabelecidos.
Por tudo isto, “Sagres” foi escolhido para dar nome ao navio-escola da Marinha Portuguesa, homenageando-se assim os Marinheiros deste período áureo da nossa História Marítima.​

​A Cruz de Cristo 

É o ex-libris do NRP “Sagres”. A avaliar pelo testemunho do cronista Gaspar Correia (c.1495-c.1561), esta foi pela primeira vez utilizada nas velas dos navios da armada de Pedro Álvares Cabral, embora a sua origem seja bem mais remota. A cruz vermelha de hastes simétricas, vazada ao centro, era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, fundada por D. Dinis em 1317, na sequência da extinção da Ordem dos Templários. Herdando os bens da antiga Ordem, a sua sede foi posteriormente transferida para o Convento de Cristo, em Tomar. De referir que o infante D. Henrique foi, a partir de 25 de Maio de 1420, e até à data da sua morte, o «regedor e governador» da Ordem de Cristo, o que lhe permitiu ver ampliada a sua influência política e religiosa, bem como a disponibilidade financeira. De resto, a​s riquezas da Ordem Militar de Cristo, além de muitas outras rendas e recursos de que o infante D. Henrique dispunha, tê-lo-ão ajudado a fazer face às avultadas despesas inerentes à construção dos navios, tendo em vista a prossecução das viagens igualmente por si financiadas.

O ​Brasão de armas 

A Cruz de Cristo (vermelho) foi utilizada nas velas (branco) dos navios portugueses a partir do século XV. Era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, da qual o Infante D. Henrique foi “regedor e governador”, desde 1420. Este facto constituiu um importante suporte económico e tornou possível o início da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses.
O ramo de carrasqueira (ouro) era o símbolo pessoal do Infante e exprime a tenacidade, a rusticidade e o desapego pelos bens materiais e honras fáceis.
O astrolábio náutico (ouro), embora ainda não utilizado durante a vida do Infante, representa a ciência e a instrução da arte de navegar que permitiu aos pilotos portugueses demandarem novos portos, novos continentes e novas ilhas.
O fundo azul, onde se encontram inscritos os motivos a ouro acima referidos, representa o “mar oceano” que, na esteira dos Descobrimentos Portugueses, une e deixou de separar.

 

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